quarta-feira, 27 de janeiro de 2010David Grossman no "Roda Viva"
*por Jornal Alef

No programa "Roda Viva" (TV Cultura), o escritor israelense David Grossman, afirmou que é preciso insistir em contar a história de forma a permitir que as pessoas abram o coração para a ideia da paz. Ele destacou o poder transformador da educação, mas fez ressalvas quanto a seu alcance no caso do conflito no Oriente Médio. "Infelizmente, a paz não será atingida através da educação das crianças, mas da decisão de líderes israelenses e palestinos e de negociadores duros que se sentarão para elaborar acordos possíveis para ambas as partes. Mas a questão da educação é muito importante. E é difícil educar as pessoas a acreditar no outro, a serem menos desconfiadas, a correr riscos, a respeitar o outro quando se está em uma guerra. Estamos fazendo o melhor possível em Israel". Na sua avaliação, a situação na Palestina não é melhor do que em Israel. "Há uma constante lavagem cerebral dos dois lados". Questionado se os conflitos podem ser resolvidos com palavras, afirmou: "O que sei é que não pode ser resolvido pela força. Durante mais de cem anos judeus e árabes, nessa área atormentada do mundo, lutam e tentam se matar. E um lado não consegue eliminar o outro. Eles precisam viver juntos, coexistir, fazer concessões dolorosas. E para que isso aconteça, precisamos de palavras, inclusive para lembrar de que não estamos fadados a viver e morrer pela espada, de que não há um decreto divino que dite que todos os israelenses e palestinos devam matar uns aos outros". Sobre uma possível forma de solucionar as diferenças entre palestinos e israelenses, o escritor lembrou do futebol: "Nosso conflito não é uma partida de futebol. Em um jogo você deve torcer por um time e, em geral, odeia-se o outro. Quando se trata do nosso conflito, de qualquer conflito humano, é preciso apoiar as duas equipes. É preciso compreender e estar comprometido com a complexidade dos dois lados. Essa é a única maneira de resolver a questão".
Fonte: Alef