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Lula pode chegar a Israel diferente

*por Nahum Sirotsky
correspondente IG, em Israel / Jornal Alef - 07.03

Claro que nos meios oficiais de Israel já se sabe tudo sobre a conversa do presidente Lula com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Ouvi israelenses falarem sobre Lula dizendo que jamais viram um chefe de governo com semelhante jogo de cintura. Lula ficará um dia e meio em Israel, mesmo tempo que dedicará à Autoridade Palestina e à Jordânia. Dorme uma noite em Jerusalém, uma noite em Belém e uma noite em Amã, capital da Jordânia. A previsão é que somente em maio, portanto após um bom intervalo, visite o Irã.

Lula será pressionado quanto à questão do Irã, que implica questão vital para Israel. Soube-se, claro, que Lula disse a Hillary Clinton que a posição que adota decorre da Constituição brasileira. Mas Israel deve pedir o voto brasileiro quando for apresentada ao Conselho de Segurança proposta de sanções ao Irã. O voto brasileiro é da maior importância. Também se procura obter os votos da Turquia e do Líbano. É possível que Israel apresente informações que Lula desconheça sobre o Irã, como as relações incestuosas que mantém com o Hezbollah e o Hamas e as ameaças decorrentes dos mísseis que tem em seus arsenais. Optou-se por entender que, se comprovado que o Irã fabrica a bomba atômica, Lula poderá mudar de opinião.

Mas é bem possível que Lula chegue a Israel em um contexto de transformações e uma atitude a favor da pacificação do Oriente Médio ganhe significado especial. O chefe do governo israelense, Bibi Netanyahu, aplaudiu a resolução dos 22 países da Liga Árabe na reunião do Cairo, aceitando sugestão americana de que as negociações de paz entre Israel e Palestina sejam imediatamente retomadas pelo sistema de proximidade. Mas por quatro meses: se não houver progresso, seja o que Deus quiser. Na próxima semana chegam à região o vice-presidente americano, Joe Biden, e o enviado especial de Obama, George Michel. Bibi afirma "estar convencido de que a vinda de Biden contribuirá para avanço concreto do processo diplomático".