*por Israel Blajberg
Pletz
As imagens que a TV traz dos Boina Azuis brasileiros no Haiti evocam o justo orgulho nacional. O grito de desespero vindo da distante ilha do Caribe foi ouvido de norte a sul, e atendido de pronto por toda a nação brasileira, na forma de ajuda humanitária prestada pelas Forças Armadas e a gente boa do povo desde os primeiros momentos, doações materiais e em espécie. O Soldado Brasileiro, que honrou as armas nacionais em Monte Castelo, Montese, Fornovo e tantos outros sítios onde combateu, agora volta a fazê-lo como Soldado da Paz.
De 1957 em Suez a 2010 no Haiti, uma historia de luta e sacrifício vem sendo escrita pelos nossos Boina Azuis. A perda de preciosas vidas brasileiras não tem preço, mas se existe consolo, foi por uma causa justa. Um punhado de heróis, do soldado ao coronel, honrou o juramento, ostentando ao uniforme a bandeira do Brasil e o símbolo da ONU. 27 de janeiro - apenas 2 semanas depois do terrível desastre que se abateu sobre a gente sofrida do Haiti, vem o tempo de recordar outra tragédia - aquela que há 7 décadas vitimou os judeus na Europa ocupada durante a Segunda Guerra Mundial.
De dimensão tamanha, uma nova palavra precisou ser reformulada e incorporada a linguagem universal - Holocausto - para representar a morte planejada e executada industrialmente de 6 milhões de seres humanos inocentes, incluindo 1 milhão e meio de crianças. Tão absurdo que nem mesmo o cinema jamais apresentara semelhante roteiro, por inacreditável. Foi o equivalente a 30 terremotos do Haiti, se considerarmos que o desastre natural vitimou 200 mil pessoas.
Em 2005 os paises membros da ONU reunidos em Assembléia Geral estabeleceram o dia 27 de janeiro como Dia Internacional da Recordação do Holocausto, marcando aquele dia cinzento do inverno europeu de 1945, quando em meio a neve as portas do Inferno se abriram sobre a Terra, o dia em que os tanques soviéticos arremeteram sobre o arame farpado de Auschwitz-Birkenau, e o mundo livre finalmente acreditou.
Somente neste campo da morte, 1.500.000 almas foram torturadas e sacrificadas. Pelo Nome Santificado do Eterno deixaram este mundo, ao serem condenadas sem culpa nem clemência ao tormento das câmaras de gás e em seguida cremadas. Suas cinzas clamam ate hoje, espalhadas pelos campos verdejantes da Europa. Na quarta feira 27 de janeiro a estes mártires deve-se dedicar um sentido momento de reflexão.
Não se está sozinho. Em todo o planeta, homens e mulheres de bem unidos em pensamento, nas cerimônias recordatorias do Rio, Nova Iorque, Jerusalém, em toda parte. No Recife, na primeira Sinagoga jamais construída no Novo Mundo, com a presença do Presidente da Republica, também a homenagem, em um prédio sagrado construído há mais de 360 anos, onde pregou Isaac Aboab da Fonseca, primeiro rabino do Brasil.
A cada 27 de janeiro, renovemos a esperança de que um mundo de paz é possível, onde não aconteçam mais tragédias como o Holocausto, o mundo onde viva em paz o filho do árabe e o do cristão, o do judeu e o do palestino, do negro e do branco. Muitos países deslocaram para o Haiti seus hospitais de campanha, médicos, remédios, sob estandartes de todas as cores. Ali, nos uniformes do pessoal de Israel, também estava presente a estrela de David, a mesma que os nazistas obrigavam suas vitimas a usar nas roupas, agora o símbolo da vitoria final sobre os algozes, que desapareceram derrotados no passado.
Que aqueles hospitais e medicamentos abençoados jamais precisem ser empregados em guerras, mas que sirvam sempre e apenas para aliviar os padecimentos dos que sofrem, a união dos povos da Terra para dar alivio ao semelhante, ratificando o ditame bíblico
". quem salva uma vida.
salva toda a Humanidade."
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